Life is simple in the moonlight
Desde quando estou acordado? Eu não vejo motivo algum para levantar  dessa cama hoje, minhas pernas não param firmes, meus braços não  conseguem fazer a mínima força. Não importa o quanto eu olhe para esse  espelho, não vejo nada que pareça vivo nele. Não vejo meu reflexo. De  quem é este rosto? Agora, o chuveiro está ligado e meus ombros ficando  mais leves. Esse relaxamento não é comum. Onde está minha vontade? Onde  foi parar minha vida? Será esse o último dia? Todo esse tumulto, esses  movimentos estranhos, esses acontecimentos estão acabando com o que  restou de mim. Quando poderei, finalmente, voltar a ser aquele garoto?  Quando devolverão minha inocência? Não consigo viver, não consigo matar  meus preconceitos. Esta solidão era de costume antes, então por que não  consigo superá-la novamente? Não quero uma garrafa, não quero um  isqueiro, não quero nada. Só quero um motivo.

Bruno Zanette

Desde quando estou acordado? Eu não vejo motivo algum para levantar dessa cama hoje, minhas pernas não param firmes, meus braços não conseguem fazer a mínima força. Não importa o quanto eu olhe para esse espelho, não vejo nada que pareça vivo nele. Não vejo meu reflexo. De quem é este rosto? Agora, o chuveiro está ligado e meus ombros ficando mais leves. Esse relaxamento não é comum. Onde está minha vontade? Onde foi parar minha vida? Será esse o último dia? Todo esse tumulto, esses movimentos estranhos, esses acontecimentos estão acabando com o que restou de mim. Quando poderei, finalmente, voltar a ser aquele garoto? Quando devolverão minha inocência? Não consigo viver, não consigo matar meus preconceitos. Esta solidão era de costume antes, então por que não consigo superá-la novamente? Não quero uma garrafa, não quero um isqueiro, não quero nada. Só quero um motivo.

Bruno Zanette

Era noite. Linda noite estrelada, mentira. Estrelas pouco importavam  aquela noite, como raramente importam na cidade grande. Na cidade grande  o que chama atenção durante a noite não são as estrelas, são as luzes.  Luzes chamavam mais atenção que estrelas, cidades grandes, mentiras ou o  próprio motivo das luzes estarem lá.O Natal estava chegando. Época  de compaixão, presentes, luzes e mais presentes. Na noite, das luzes,  estava você. Eu também, com você, com as luzes, com as mentiras da  cidade grande. Vi seus olhos, mais as luzes, menos as mentiras. Com seus  olhos com as luzes refletidas sobre eles na minha mira não importavam  mais as pessoas da cidade grande, os presentes de Natal ou a própria  noite em si. Um espetáculo que nem os melhores circos podem oferecer,  eles não tem seus olhos, nem as luzes. Com seus olhos cruzando com meus  olhos, e com as luzes, todas mentiras faziam sentido. Até a ausência de  estrelas, ou da importância delas, fazia sentido. Nenhuma das estrelas  iria brilhar mais que seus olhos junto com as luzes.Quem diria que um feriado capitalista me ofereceria esse espetáculo gratuitamente?

Bruno Zanette (dezembro/2010)

Era noite. Linda noite estrelada, mentira. Estrelas pouco importavam aquela noite, como raramente importam na cidade grande. Na cidade grande o que chama atenção durante a noite não são as estrelas, são as luzes. Luzes chamavam mais atenção que estrelas, cidades grandes, mentiras ou o próprio motivo das luzes estarem lá.
O Natal estava chegando. Época de compaixão, presentes, luzes e mais presentes. Na noite, das luzes, estava você. Eu também, com você, com as luzes, com as mentiras da cidade grande. Vi seus olhos, mais as luzes, menos as mentiras. Com seus olhos com as luzes refletidas sobre eles na minha mira não importavam mais as pessoas da cidade grande, os presentes de Natal ou a própria noite em si. Um espetáculo que nem os melhores circos podem oferecer, eles não tem seus olhos, nem as luzes. Com seus olhos cruzando com meus olhos, e com as luzes, todas mentiras faziam sentido. Até a ausência de estrelas, ou da importância delas, fazia sentido. Nenhuma das estrelas iria brilhar mais que seus olhos junto com as luzes.

Quem diria que um feriado capitalista me ofereceria esse espetáculo gratuitamente?

Bruno Zanette (dezembro/2010)

Tu poderias me dar mais um dia, mas um dia por inteiro, contigo por  inteiro só para mim. Se assim fosse, te mostraria tudo que poderia  fazer para te ver feliz, tiraria todas as cartas da manga. Não te daria  flores nem tentaria te comprar com palavras baratas. Só queria  aproveitar ao teu lado tudo que eu posso. Rolar na grama, dançar e  cantar em público, roubar alguns beijos. No fim, se assim quisesses, eu  te devolveria pra onde tu vieste. Caso contrário, eu poderia te fazer  sorrir por muito mais do que só um dia.

Bruno Zanette

Tu poderias me dar mais um dia, mas um dia por inteiro, contigo por inteiro só para mim. Se assim fosse, te mostraria tudo que poderia fazer para te ver feliz, tiraria todas as cartas da manga. Não te daria flores nem tentaria te comprar com palavras baratas. Só queria aproveitar ao teu lado tudo que eu posso. Rolar na grama, dançar e cantar em público, roubar alguns beijos. No fim, se assim quisesses, eu te devolveria pra onde tu vieste. Caso contrário, eu poderia te fazer sorrir por muito mais do que só um dia.

Bruno Zanette

Milhares de coisas não são para apenas uma ser.
Bruno Zanette
A velha aliança morreu, há muito tempo, mas minha mente otimista só hoje percebeu. Toda aquela camaradagem, aquele companheirismo e aquela amizade. Não sei onde tudo isso foi se esconder. Sumiu no ar, fumado junto com todos aqueles maços. Nós mal pudemos perceber no meio de tanta embriaguez e alienação de eternidade que estávamos morrendo aos poucos. De tanta pressão, a grande barreira de vidro caiu aos pedaços. Tudo que me resta a fazer é não me cortar e tentar juntar os pedaços possíveis. E morrer de nostalgia.

Bruno Zanette

A velha aliança morreu, há muito tempo, mas minha mente otimista só hoje percebeu. Toda aquela camaradagem, aquele companheirismo e aquela amizade. Não sei onde tudo isso foi se esconder. Sumiu no ar, fumado junto com todos aqueles maços. Nós mal pudemos perceber no meio de tanta embriaguez e alienação de eternidade que estávamos morrendo aos poucos. De tanta pressão, a grande barreira de vidro caiu aos pedaços. Tudo que me resta a fazer é não me cortar e tentar juntar os pedaços possíveis. E morrer de nostalgia.

Bruno Zanette

Ter algo em minha consciência não me incomoda, me culpo é de não ter nada em meu legado. É horrível sentir um vácuo de lembranças e de emoção. Olhando para trás, vejo uma infância vazia. Saudades dos tempos de criança? Não, ora arrependimento, ora remorso, ora nostalgia. O tempo passava, meus amigos passavam, eu ficava.

Bruno Zanette

Ter algo em minha consciência não me incomoda, me culpo é de não ter nada em meu legado. É horrível sentir um vácuo de lembranças e de emoção. Olhando para trás, vejo uma infância vazia. Saudades dos tempos de criança? Não, ora arrependimento, ora remorso, ora nostalgia. O tempo passava, meus amigos passavam, eu ficava.

Bruno Zanette

E as coisas sempre findam assim, comigo não me sentindo nada para ninguém, tendo que ser tudo para mim mesmo. Por mais que a pessoa te trate como um rei, eu garanto, um dia, ela te abandonará de alguma forma, em algum lugar obscuro dentro da sua própria mente. É nessas horas que você precisa se satisfazer com a companhia do seu reflexo no espelho.

Bruno Zanette

E as coisas sempre findam assim, comigo não me sentindo nada para ninguém, tendo que ser tudo para mim mesmo. Por mais que a pessoa te trate como um rei, eu garanto, um dia, ela te abandonará de alguma forma, em algum lugar obscuro dentro da sua própria mente. É nessas horas que você precisa se satisfazer com a companhia do seu reflexo no espelho.

Bruno Zanette