
Era noite. Linda noite estrelada, mentira. Estrelas pouco importavam aquela noite, como raramente importam na cidade grande. Na cidade grande o que chama atenção durante a noite não são as estrelas, são as luzes. Luzes chamavam mais atenção que estrelas, cidades grandes, mentiras ou o próprio motivo das luzes estarem lá.
O Natal estava chegando. Época de compaixão, presentes, luzes e mais presentes. Na noite, das luzes, estava você. Eu também, com você, com as luzes, com as mentiras da cidade grande. Vi seus olhos, mais as luzes, menos as mentiras. Com seus olhos com as luzes refletidas sobre eles na minha mira não importavam mais as pessoas da cidade grande, os presentes de Natal ou a própria noite em si. Um espetáculo que nem os melhores circos podem oferecer, eles não tem seus olhos, nem as luzes. Com seus olhos cruzando com meus olhos, e com as luzes, todas mentiras faziam sentido. Até a ausência de estrelas, ou da importância delas, fazia sentido. Nenhuma das estrelas iria brilhar mais que seus olhos junto com as luzes.
Quem diria que um feriado capitalista me ofereceria esse espetáculo gratuitamente?
Bruno Zanette (dezembro/2010)