Obrigado, Fê, valeu mesmo. AQUELE abraço, beijos, te cuida.
| — | Thiago Rocha (miserabledrunk) |

Desde quando estou acordado? Eu não vejo motivo algum para levantar dessa cama hoje, minhas pernas não param firmes, meus braços não conseguem fazer a mínima força. Não importa o quanto eu olhe para esse espelho, não vejo nada que pareça vivo nele. Não vejo meu reflexo. De quem é este rosto? Agora, o chuveiro está ligado e meus ombros ficando mais leves. Esse relaxamento não é comum. Onde está minha vontade? Onde foi parar minha vida? Será esse o último dia? Todo esse tumulto, esses movimentos estranhos, esses acontecimentos estão acabando com o que restou de mim. Quando poderei, finalmente, voltar a ser aquele garoto? Quando devolverão minha inocência? Não consigo viver, não consigo matar meus preconceitos. Esta solidão era de costume antes, então por que não consigo superá-la novamente? Não quero uma garrafa, não quero um isqueiro, não quero nada. Só quero um motivo.
Vida, minha vida é muito monotona e daí quando acontece algo vira isso. Brigado por ter gostado, e por ser minha primeira ask. OKPSADKPOADSOPKDSOKP

Voltei para meu lar junto contigo, solidão. Sentiu minha falta? Pois bem, eu não. Mesmo assim, tenho muito para te contar sobre toda esta trilha que eu andei. Todas as experiências que eu estive vivendo, coisas que eu nunca imaginaria. Conheci os céus, as nuvens, as terras, os mares e todos os ares. Todo sonho de paixão que possas passar por tua cabeça, cara solidão, eu estive lá com ela nos abraços e quase esquecendo meu próprio coração. Agora tu perguntas – se tanta felicidade aquele caminho te trazia, qual a razão de voltares para esta deserta casa no qual me encontro? Peço-te calma, ainda só te contei os paraísos, precisas ouvir sobre os infernos também. Desde que algumas máscaras caíram, a balança pendeu para a tristeza. E todo aquele peso caiu sobre minhas costas e me fez querer fugir, me fez querer voltar para algum lugar que eu pudesse chamar de lar. E aqui estou eu, outra vez, te contando minhas graças e minhas desgraças. Vejo que preservou tudo exatamente como deixei. Vou para o meu velho quarto, descansar na minha velha cama olhando para meus velhos retratos. Não desfarei as malas, não pretendo ficar por muito tempo.
| — | Bruno Zanette |
| — | Renê Müller (heartshapedhandgrenade) |

Era noite. Linda noite estrelada, mentira. Estrelas pouco importavam aquela noite, como raramente importam na cidade grande. Na cidade grande o que chama atenção durante a noite não são as estrelas, são as luzes. Luzes chamavam mais atenção que estrelas, cidades grandes, mentiras ou o próprio motivo das luzes estarem lá.
O Natal estava chegando. Época de compaixão, presentes, luzes e mais presentes. Na noite, das luzes, estava você. Eu também, com você, com as luzes, com as mentiras da cidade grande. Vi seus olhos, mais as luzes, menos as mentiras. Com seus olhos com as luzes refletidas sobre eles na minha mira não importavam mais as pessoas da cidade grande, os presentes de Natal ou a própria noite em si. Um espetáculo que nem os melhores circos podem oferecer, eles não tem seus olhos, nem as luzes. Com seus olhos cruzando com meus olhos, e com as luzes, todas mentiras faziam sentido. Até a ausência de estrelas, ou da importância delas, fazia sentido. Nenhuma das estrelas iria brilhar mais que seus olhos junto com as luzes.
Quem diria que um feriado capitalista me ofereceria esse espetáculo gratuitamente?
Bruno Zanette (dezembro/2010)

